
Novas possibilidades na avaliação da dor pós-operatória
A avaliação da dor no pós-operatório pode ser prejudicada, muitas vezes, por ser feita usualmente por meio de escalas padronizadas que não abrangem os aspectos individuais da dor, dependem de equipes de enfermagem desfalcadas e por vezes, a
A avaliação da dor no pós-operatório pode ser prejudicada, muitas vezes, por ser feita usualmente por meio de escalas padronizadas que não abrangem os aspectos individuais da dor, dependem de equipes de enfermagem desfalcadas e por vezes, a perspectiva do paciente é negligenciada. Assim, um estudo holandês avaliou a usabilidade de um aplicativo de autorregistro de dor pós-operatória, analisando os aspectos como design e conteúdo. Além disso, para validação destes dados de autorregistro, os mesmos foram comparados com a avaliação realizada por enfermeiros. Essa avaliação foi realizada com cinquenta pacientes hospitalizados para cirurgia eletiva, doze profissionais da área da saúde e tecnologia da informação. Após lembretes programados, o usuário deveria responder quatro questões, sendo a primeira respondida com a roda de 11 pontos numéricos e face segundo intensidade da dor desenvolvida para o aplicativo e o restante com respostas Sim ou Não, incluindo se gostaria de analgesia extra e visita do enfermeiro. O aplicativo foi avaliado como fácil para uso por todos os pacientes que o utilizaram (90%) e satisfatório para registro da dor por 60. A maioria o considerou atrativo quanto à aparência, layout e cores utilizadas. Para os profissionais, foi considerado fácil, simples e amigável, porém, apontaram ajustes necessários no design, falta de clareza na roda criada para avaliação da dor, reformulação das questões, entre outros. Não houve diferença significativa na comparação entre o autorregistro e a avaliação da dor pelos enfermeiros no geral, separadamente houve diferença significativa nos registros nas pontuações de 0-4 (p=0,0024, enfermeiros registraram mais que os pacientes) e 5-7 (p=0,0096, 5 registros a mais pelos pacientes). O estudo considerou estas diferenças irrelevantes clinicamente. É importante ressaltar que o aplicativo não deve substituir a avaliação de um profissional, uma vez que dois pacientes não conseguiram usar a ferramenta por apresentarem um quadro de dor intensa e náuseas, complicações que são recorrentes no pós-operatório. Além disso, alguns usuários não veem benefício no uso do app para chamar o profissional ao seu leito. Com isso, após os ajustes necessários, o aplicativo pode ser útil para complementar a avaliação da dor no pós-operatório de pacientes clinicamente estáveis, questões como acesso e manuseio de smartphones, internet e público-alvo também devem ser considerados para torná-lo eficiente.
Referência: Thiel B, Godfried MB, van Huizen EC, Mooijer BC, de Boer BA, van Mierlo RAAM, et al. (2020) Patient reported postoperative pain with a smartphone application: A proof of concept. PLoS ONE 15(5): e0232082. https://doi.org/10.1371/ journal.pone.0232082 Alerta submetido em 15/09/2020 e aceito em 09/10/2020. Escrito por Amanda Paula Mendonça da Costa.