
Dor crônica no Brasil
A dor é uma condição de difícil compreensão e multifatorial, definida pela International Association for the Study of Pain (IASP) como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão real ou descrita em tais termos
Dor crônica no Brasil Gleiciely Spindula, Rayane Cavalcante, Vera Regina Fernandes da Silva Marães, Antônia de Jesus Ângulo Tuesta *
A dor é uma condição de difícil compreensão e multifatorial, definida pela International Association for the Study of Pain (IASP) como uma “experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão real ou descrita em tais termos”¹. A IASP esclarece que o melhor ponto de partida na diferenciação entre dor crônica e aguda são três meses de ocorrência do agravo, de caráter contínuo ou recorrente. Sendo considerada um problema de saúde pública, em função da alta prevalência, alto custo e do impacto negativo que pode causar na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares. Estima-se que até 40% da população mundial sofre de dor crônica, com prevalência em torno de 10,1 a 55,5% e média de 35,5%². No Brasil, mesmo havendo poucos estudos epidemiológicos, pesquisas afirmam incidência semelhante à estimada pela IASP³. A dor crônica acomete entre 30% e 50% da população brasileira4, sendo um sintoma e uma das causas mais frequentes relatadas pelos pacientes na procura por auxílio médico na Atenção Primária à Saúde (APS)5. Estudos sobre prevalência da dor crônica no Brasil apresentam predominância de queixa nas regiões dorsal/lombar e articulações4,6,7,8,9. Em 2012 foi aprovado um Protocolo Clínico e de Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica (PORTARIA Nº 1083, DE 02. DE OUTUBRO DE 2012) trazendo o conceito geral da dor crônica, critérios de diagnóstico, critérios de inclusão e de exclusão, tratamento e mecanismos de regulação, controle e avaliação. É de caráter nacional e deve ser utilizado pelas Secretarias de Saúde dos Estados e dos Municípios na regulação do acesso assistencial, autorização, registro e ressarcimento dos procedimentos correspondentes. Ajudando também os gestores estaduais e municipais do SUS, a estruturar a rede assistencial, definir os serviços referenciais e estabelecer os fluxos para o atendimento dos indivíduos com a doença²¹. Os estudos epidemiológicos são fundamentais para a compreensão da dor12,13. Cerca de 50% dos brasileiros procuram a APS devido à dor aguda e, 50%, para o tratamento da dor crônica. A prevalência de dor em hospitais varia de 45% a 80%14,15,16. As mulheres apresentam queixas significativamente maiores de dor quando comparadas a homens de idades similares17,18. Nesse cenário, é importante considerar que a procura pelos serviços de saúde é maior entre as mulheres e que aspectos biológicos também podem contribuir para essas diferenças, aspectos esses que podem explicar a prevalência desse dado. Diante disso, pensando na participação dos homens e trabalhadores na APS, o Ministério da Saúde criou o programa Saúde na Hora que tem a extensão no horário de atendimento das UBS até as 22:00h, apontando como uma estratégia de integração, sobretudo para essas populações específicas.
É importante salientar que a falta de diagnóstico e tratamento adequado na fase aguda pode favorecer a cronificação da dor e o seu agravamento19. Estudos comprovam que a intensidade da dor e sua maior durabilidade estão relacionadas a aspectos socioeconômicos, apresentando maior intensidade e prevalência de dor em população de baixa renda20. Nesse sentido, a política para o tratamento da dor, consiste em um dos exemplos mais relevantes de universalidade e da transversalidade do cuidado, necessitando de atenção e conhecimento eficientes dos profissionais que atuam na APS para perceber e tratar a dor de forma adequada e direcionada, levando em consideração as necessidades individuais.
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* Editoral produzido no âmbito da disciplina "Seminários Avançados em Pesquisa em Ciências e Tecnologias em Saúde", do Programa de Pós-graduação em Ciências e Tecnologias em Saúde da Faculdade de Ceilândia, UnB.








