Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

O uso da farmacogenética para individualizar o tratamento da dor pós-

operatória A artroplastia total do joelho é uma cirurgia de grande porte realizada para recuperação funcional de articulações comprometidas por artrite ou outras lesões. Todos os dias são realizadas milhões dessas cirurgias ao redor do mund

DOL · Dor On Line Edição 253 · Agosto 2021 ⭳ Baixar em PDF

operatória A artroplastia total do joelho é uma cirurgia de grande porte realizada para recuperação funcional de articulações comprometidas por artrite ou outras lesões. Todos os dias são realizadas milhões dessas cirurgias ao redor do mundo, o que se reflete em milhões de pessoas experimentando a dor decorrente deste procedimento. O controle da dor no pós-operatório é de suma importância para o paciente na prática clínica, além de diminuir o tempo de hospitalização e contribuir para sua recuperação. Desta forma, é constante a busca por protocolos de otimização da farmacoterapia da dor pós-operatória. Uma ferramenta que vem sendo considerada para a otimização da farmacoterapia é a farmacogenética, que pode auxiliar a prever a eficácia e o perfil de efeitos adversos que o paciente apresentará durante o uso de um determinado medicamento. Esses estudos são baseados, por exemplo, na determinação do perfil de expressão de enzimas metabolizadoras de fármacos, pois isso afeta a metabolização, e consequentemente, o efeito dos fármacos, inclusive dos analgésicos. Tendo em vista esses aspectos, um estudo prospectivo e randomizado, realizado nos Estados Unidos, avaliou se o uso de um protocolo terapêutico personalizado com base no perfil farmacogenético dos pacientes seria mais eficaz para o tratamento da dor após artroplastia total do joelho. Para isso, um grupo de 31 pacientes teve a amostra de DNA coletada para realização de um teste genético, o qual avaliou a presença de variações que afetassem o uso dos medicamentos para dor. Estes pacientes foram então submetidos à cirurgia, que foram realizadas pelo mesmo cirurgião, e tiveram o mesmo padrão de atendimento na cirurgia e reabilitação. A partir do resultado do teste genético, foi gerado um relatório personalizado para cada paciente contendo os medicamentos indicados para o seu uso. Para receberem o tratamento, os pacientes foram randomizados em quatro grupos, em função da presença de variabilidade genética e do tipo de protocolo. Os que apresentaram variações genéticas receberam o tratamento padrão (grupo controle) ou o tratamento personalizado (grupo tratamento). Da mesma forma, os pacientes sem variações genéticas também receberam o tratamento padrão ou personalizado. As informações sobre o nível de dor, efeitos colaterais, quantidade e tipo de analgésicos ingeridos foram registradas pelos pacientes nos 10 dias de pós- cirúrgico e devolvidas na primeira consulta de revisão. Os resultados do teste genético demostraram que 42% dos pacientes apresentaram alguma variante genética que influenciaria na resposta ao tratamento da dor. O estudo também evidenciou a importância da variabilidade genética para a resposta individual ao tratamento analgésico: os pacientes com protocolo farmacogenético personalizado apresentaram menores escores de dor e menor consumo de opioides no pós-operatório em relação ao grupo tratado com o protocolo padrão. Além disso, os pacientes que possuíam variantes genéticas e utilizaram o protocolo padrão reclamaram de dor e efeitos adversos excessivos.

Em conclusão, este estudo demonstrou uma grande prevalência de variações genéticas que podem afetar a farmacoterapia da dor, e que a resposta ao tratamento analgésico pode ser otimizada ao contar com as características farmacogenéticas individuais dos pacientes. Esses achados demostram o potencial do uso da farmacogenética na prática clínica, embora esta seja uma tecnologia ainda distante de ser implementada na rotina. Referências: Hamilton WG, Gargiulo JM, Parks NL. Using pharmacogenetics to structure individual pain management protocols in total knee arthroplasty. Bone Joint J. 2020;102-B(6_Supple_A):73-78. doi:10.1302/0301-620X.102B6.BJJ-2019- 1539.R1 Alerta submetido em 02/06/2021 e aceito em 04/08/2021. Escrito por Jamile de Souza Moraes.

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